Humanos – Humanos – 2004

Humanos

Humanos: disco dos Humanos, de 2004

Colaboração de Priscila Roque

Se Raul Seixas tivesse nascido em Portugal, ele seria batizado de António Variações. As trajetórias desses dois caras são bem parecidas e o significado que cada um teve para o seu país também. António Variações morreu muito jovem, aos 39 anos, no início da década de 80. Um gênio popular da música local que não deixou nem tempo para a despedida.

Em 2004, 20 anos após sua morte, sete músicos portugueses se reuniram para homenagear o maluco beleza lusitano. Descobriram canções inéditas em fitas k7 guardadas pelo irmão dele e formaram o projeto Humanos para gravá-las.

Nos vocais, um revezamento entre Manuela Azevedo (da banda portuguesa Clã e parceira de composições de Arnaldo Antunes), David Fonseca (um dos mais bem sucedidos cantores de pop rock da atualidade em Portugal) e Camané (chamado de Príncipe do Fado, pelo alcance que sua música teve posterior a “era” Amália Rodrigues – a Rainha do Fado).

O projeto tem um único disco de estúdio e é esse que não pulo nenhuma faixa. Apesar das vozes tão diferentes a cada canção – o que poderia torná-lo confuso a um ouvinte que não soubesse de sua história, esse também é o trunfo do álbum. Ele se torna mais autoral e surpreendente.

É possível notar uma linha temática que envolve todas as músicas, por serem de um único sujeito bastante peculiar. Entretanto, a seleção feita pelo grupo trouxe pensamentos e reflexões interessantes de Variações sobre sua estadia tão curta nessa plano. “Olha que a vida não, não é nem deve ser/ Como um castigo que tu terás que viver”, canta Manuela em “Muda de vida”, ou “Vou viver/ até quando eu não sei/ que me importa o que serei/ quero é viver”, traz Camané, com seu melancólico vocal fadista em “Quero é viver”.

Entre os duetos, é em “Rugas” que vejo uma dinâmica muito expressiva dos integrantes. O drama das primeiras rugas traz visões feminina e a masculina, com Manuela e Camané, ainda que cantado com as mesmas palavras. É a forma de interpretá-lo, em dois universos.

Outro destaque é “Gelado de verão”. Essa canção vem como um respiro animado dentro um álbum que parece dizer tanto sobre seus ideais, ora até bastante pronfudos, como na despedida “Adeus que me vou embora”. A poesia ficou impecável na voz de David Fonseca – tão conhecido em Portugal por suas músicas em inglês. “Tu foste em todas as formas um país que eu nunca vi/ Velho sonho dos meus olhos e eu só vi a ti”, diz um trecho da canção, acompanhado de uma levada rápida de violão.

Somente como curiosidade, o projeto foi mostrado duas vezes ao vivo e, até hoje, é acarinhado pelo público. Esse disco ainda é facilmente encontrado nas lojas de disco de Portugal.

Humanos – Humanos

Ouça o disco

  1. A teia
  2. Quero é viver
  3. Muda de vida
  4. Na lama
  5. A culpa é da vontade
  6. Maria albertina
  7. Rugas
  8. Gelado de verão
  9. Amor de conserva
  10. Já não sou quem era
  11. Não me consumas
  12. Adeus que me vou embora
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