Ramones – Rocket To Russia – 1977

Ramones

Rocket To Russia: disco dos Ramones, de 1977

Colaboração de Jorge Almeida

Lançado em novembro de 1977, o clássico Rocket To Russia, o terceiro trabalho de estúdio dos Ramones, é um dos mais bem sucedidos discos dos punks nova-iorquinos. Boa parte de suas músicas é nitidamente influenciada pelo surf rock.

O álbum é marcado por ser o último registro de Tommy Ramone enquanto integrante, uma vez que o primeiro ‘live’ da banda, It’s Alive, foi gravada na virada de 1977 para 1978 quando Tommy ainda fazia parte do grupo, mas que foi lançado só em 1979, já com Marky nas baquetas.

Lançado pela Sire Records e gravado durante o final de agosto e começo de setembro de 1977 no Media Sound Studios, em Manhattan, o disco teve a produção assinada pelo próprio Tommy Ramone (que utilizou o seu verdadeiro nome nos créditos: Tommy Ederlyi) e Tony Bongiovi (primo de segundo grau de um famoso cantor de hard rock, um tal de Jon Bon Jovi).

Bom, o álbum abre com os riffs de “Cretin Hop” que é simples, mas ao mesmo tempo é incrível. No refrão da música – “1,2,3,4 cretins wanna hope some more/4,5,6,7 all the good cretins go to heaven” -, a batida da bateria de Tommy é a grande graça.

A faixa seguinte é (para mim) uma das melhores músicas dos Ramones: “Rockway Beach”. Ela é perfeita, desde “1, 2, 3, 4!”, dito por Dee Dee, até a última nota. A letra deixa bem explícito que o negócio era pegar o “bubble gum” e ir surfar. Clássicão.

Depois aparece “Here Today, Gone Tomorrow” para dar uma acalmada. Mas quando você escuta a balada, o refrão grudento fica martelando na cabeça. Uma excelente canção. Enquanto isso, “Locket Love” mantém o mesmo timbre de voz de Joey Ramone milimetricamente aliada à mesma nota em toda a canção.

Já “I Don’t Care” traz Dee Dee Ramone no backing vocal, três versos, três acordes (aliás, isso é obrigatório em se tratando de Ramones) e a mesma batida de bateria. Aliás, Renato Russo confessou que plagiou descaradamente o riff da música ao compor o clássico legionário “Que País É Esse?”.

Depois aparece “Sheena Is A Punk Rocker”, que dispensa comentários. Talvez seja ao lado de “Blitzkrieg Bop”, um dos temas mais populares do grupo. Foi lançado “oficialmente” em Rocket To Russia, pois algumas prensagens do trabalho anterior – Leave Home – trazia a música no tracklist no lugar da censurada “Carbona Not Glue”.

A metade de Rocket To Russia chega com “We’re A Happy Family”, que fala sobre uma família disfuncional que o interlocutor fazia parte. O título da música foi dado a um álbum-tributo à banda em 2003. E também ela encerrou muitos shows da banda, como pode ser ouvido no próprio “It’s Alive”. Logo surge outro tema bem conhecido dos fãs: “Teenage Lobotomy”, que celebra a paranoia do protagonista que passa por situações como “Slugs and snails are after me (caramujos e lesmas estão me seguindo)”.

Já emendando aparece o primeiro cover do disco: “Do You Wanna Dance?”, de Bob Freeman. A música já foi gravada por inúmeros nomes, como Cliff Richards, John Lennon, Beach Boys, Johnny Rivers (talvez a versão mais conhecida dela). Mas os Ramones tinham como grande trunfo fazer com que os covers soassem como músicas próprias. E foi o que aconteceu com essa. Basta comparar a versão melosa de “Joãozinho Rios” com a de Joey Ramone e sua trupe. Essa é uma das poucas canções que acredito que o cover ficou melhor do que o original.

Em seguida, aparecem as simplórias, mas excelentes, “I Wanna Be Well” e “I Can’t Give You Anything”, seguida da meio balada-meio rock “Ramona”, que aqui no Brasil ganhou uma versão aportuguesada de “Pequena Raimunda” feita pelos seus discípulos Raimundos.

A penúltima canção é outro cover. Trata-se de “Surfin’ Bird”, do The Trashman, o que mostra nitidamente a influência da banda pela surf music. Em minha opinião, a versão ramônica dessa é o melhor cover de todos os tempos (REPITO: em minha opinião) E, para encerrar, “Why Is It Always This Way”, que manteve a mesma pegada do disco: rápido, básico e sem firulas.

Em 19 de junho de 2001, a Rhino Records relançou a versão remasterizada do álbum, acrescido de faixas bônus: as demos de “Needles And Pins” (que foi cortada de Rocket To Russia) e “It’s A Long Way Back To Germany”, ambas foram lançadas no álbum seguinte da banda, Road To Ruin (1978), a semi-inédita “Slug” (que só consta na coletânea All The Stuff (And More!) – volume 2, de 1990), e os “singles versions” de “I Don’t Care” e “Sheena Is A Punk Rocker”.

Bom, se Rocket To Russia é um dos cinco álbuns favoritos de gente como Iggor Cavalera, é sinal de que ele não é pouca coisa, não é mesmo? Mais do que recomendar. Digo que, se você gosta de rock cru, básico e sem firulas, é uma obrigação fazer parte da sua coleção. Afirmo que, em minha opinião (mais uma vez), é um dos melhores discos da história do rock.

Ramones – Rocket To Russia

Ouça o disco

  1. Cretin Hop
  2. Rockaway Beach
  3. Here Today, Gone Tomorrow
  4. Locket Love
  5. I Don’t Care
  6. Sheena Is A Punk Rocker
  7. We’re A Happy Family
  8. Teenage Lobotomy
  9. Do You Wanna Dance?
  10. I Wanna Be Well
  11. I Can’t Give You Anything
  12. Ramona
  13. Surfin’ Bird
  14. Why Is It Aways This Way

    Faixas Bônus da edição expandida de 2001:

  15. Needles & Pins
  16. Slug
  17. It´s a Long Way Back To Germany
  18. I Don’t Care
  19. Sheena Is A Punk Rocker
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