Jethro Tull – Benefit – 1970

 Jethro Tull

Benefit: disco do Jethro Tull, de 1970

Colaboração de Demétrius Carvalho

Comunmente citado como uma banda de rock progressivo, o Jethro Tull é fechado em um rótulo que pode afastar um novo ouvinte. Antes do clássico Aqualung, que é tido como um disco obrigatório em qualquer enciclopédia do rock, a banda lançou 3 discos (This Was, Stand Up e Benefit), além de um single (“Jethro Toe”).

Falar de um clássico como Aqualung é “chover no molhado”. E embora ache Stand Up um dos melhores álbuns do final dos anos 60, quero falar de Benefit, que muito me influenciou, abrindo-me perspectivas ao rock, mostrando-me uma até então impensável flauta nesse cenário, além de inúmeras influências que passam pela banda.

Em outras palavras. Para quem não conhece e não quer ser levado por “chavões” de uma banda progressiva e também não quer conhecer uma banda por seus trabalhos mais conhecidos, vai aí o meu raio-x de Benefit. O terceiro álbum da banda.

With You There To Help Me: Flauta, seu tradicional efeito vocal, violão de aço e piano abrem o disco em uma composição em 3/4. Embora baixo e  bateria entre logo nos primeiros segundos, a tradicional guitarra aparece apenas aos 59 segundos. Se você ouvir no fone, percebe-se uma voz em cada canal, dobrada pelo mago da flauta.

Nothing To Say: Um riff dobrado abre a canção, mas estão ali presentes novamente os violões, piano. Agora estão eles no 4/4 e sem a flauta para quem acha que eles são apenas flauta no meio do rock.

Inside: A flauta volta permeada pelo timbre único de voz de Ian Anderson. O jogo de instrumentos por canais diferentes é novamente presenciada e por isso prefiro ouvir com os ditos fones. Para quem gosta dos baixistas que usam mais do que as simples tônicas, vale uma audição percebendo uma melodia paralela desenvolvida nessa música.

Son: Se o título te sugere uma experiência diferente, essa é aberta com o ar mais roqueiro do disco. A música tem apenas 2:52 e tem tempo o suficiente para ter um “fade out” (aquele efeito do som abaixando) e a música entrar com uma timbragem que te remete aos tempos medievais e volta ao rock n’roll sem forçar a barra e parecendo colagem como vemos com muito costume. Seu final também é uma surpresa. Pouco tempo para tantas por sinal.

For Michael Collins, Jeffrey and Me: Uma introdução das mais emotivas do disco e você pode se enganar de que vai ouvir uma baladinha melosa. A canção se desenvolve com novas partes e dinâmicas que o fazem até esquecer que está na mesma música, mas eles estavam afiados e eles conseguem retornar ao clima inicial e finalizam fazendo você pensar em uma rede gostosa para deitar.

To Cry You a Song: Compete com “Son” na sonoridade, mas tem uma introdução bem mais sutil com o “fade in” (aquele outro subindo). Riffs e dobras tornam essa a música mais progressiva do disco. As novidades no entanto acontece com um solo de guitarra simultâneo de guitarra (um para cada canal) que não briga entre si. Experiências sonoras que podem ser a coisa mais comum do mundo hoje, mas não ali em 1970.

A Time For Everything: A essa altura, a introdução dessa música já não mais será inesperado. Prestem atenção no diálogo entre a melodia principal e o restante da banda. O guitarrista chega a não tocar um único acorde na música, mas destrincha novos caminhos melódicos. Dessa vez no entanto, você vai me odiar por falar nos fones. As experiências e vanguardas da banda mostram um harmônico saturado na guitarra com 1:20 de música e por 10 segundos eles perturbam e muito o seu ouvido.

Teacher: Uma das canções mais “canções” do disco, mas que que se desenvolve com timbragens, e passagens que comumente são caracterizados como progressivo, mas que não consigo encontrar semelhança entre eles e Yes ou Rush por exemplo.

Play In Time: A essa altura, o ouvinte mais atencioso já deve ter percebido que o vocalista sempre manda sussuros, gritos ou outros recursos sonoros entre as notas tocadas. Ela está explícita na introdução, mas a novidade fica a cargo do efeito de guitarra ao contrário que ocorre com 1:05 imortalizado por Hendrix. Eles chegam ao auge por volta de 2:32 e usando um recurso de “trade” mais comum ao jazz.

Sossity: You’re a Woman: Talvez a minha música preferida do disco. Orgão e violão dobram uma melodia inicial que fica com voz e violão alguns segundos depois. O ar de trovadores medievais aparece em tal violão por sinal. O refrão que aparece pela primeira vez com 1:47 simplesmente não sai de minha cabeça e apenas a flauta e uma panderola é inserida. Ela por sinal termina com um ar que fica entre o erudito e o flamenco.

Já foi dito que nada se cria e tudo se copia. Minhas misturas eruditas começaram daí… Que tal uma chance aos veteranos? Experimente escutar ele ao menos 3 vezes para ter certeza de que não há nada que você se interesse por ali. Penso que muita gente ainda pode se apaixonar por um disco que adoro.

Jethro Tull – Benefit

Ouça o disco

  1. With You There To Help Me
  2. Nothing To Say
  3. Alive And Well And Living In
  4. Son
  5. For Michael Collins, Jeffrey And Me
  6. To Cry You A Song
  7. A Time For Everything
  8. Inside
  9. Play In Time
  10. Sossity You’re A Woman
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