Kiss – Kiss – 1974

Kiss

Kiss: disco do Kiss, de 1974

Colaboração de Jorge Almeida

O trabalho de estreia do Kiss já completou mais de 40 anos de seu lançamento. Gravado entre outubro e novembro de 1973, no Bell Sound Studios, em Nova York, o disco teve a produção assinada pela dupla Kenny Kerner e Richie Wise (ex-integrante do Dust, banda de Hard Rock do início dos anos 1970, que tinha entre seus membros um tal de Marc Bell na bateria e que ganhou a fama mundial com a alcunha de Marky Ramone).

A capa do álbum foi inspirada na famosa With The Beatles, dos Beatles – óbvio. Na ocasião, três dos quatro integrantes do Kiss fizeram a sua própria maquiagem. Exceto Peter Criss, que, por preguiça, preferiu que um maquiador fizesse a sua make-up, por isso que a sua maquiagem feita para a foto de capa está totalmente diferente da que o consagrou.

A princípio, as vendagens de Kiss foram um fiasco (cerca de 75 mil cópias vendidas na época). No entanto, a gravadora estrategicamente propôs ao grupo que gravassem um cover de Bobby Rydell, de 1959, intitulada “Kissin’ Time”, que foi inserida no tracklist em uma nova prensagem do disco, que ocorreu em maio de 1974. Ou seja, quem tem o primeiro LP do Kiss, sem “Kissin’ Time”, tem uma verdadeira relíquia em mãos.

Kiss só teve o reconhecimento devido graças a Alive! (1975). Ele permitiu que as pessoas fossem atrás do primeiro álbum, que recebeu o certificado de Disco de Ouro apenas em 1977, quando o Kiss já era a “banda mais quente do mundo”.

O álbum abre com “Strutter”, composta por Paul Stanley e Gene Simmons antes de Ace Frehley se juntar a banda. Stanley fez a letra em cima de uma música que Simmons havia composto intitulada “Stanley, The Parrot”. Com seu riff certeiro e um excelente vocal de Paul, não é à toa que ela continua no rol dos eternos clássicos do Kiss.

Em seguida, aparece “Nothin’ To Lose”, com o linguarudo baixista dividindo os vocais com Peter Criss. A música fala sobre a insistência do interlocutor em coagir com a namorada a prática do sexo anal. Paul Stanley colabora nos backing vocals. O terceiro tema é “Firehouse”, que apresenta bom riff, mas não chega a empolgar. Ela ganhou mais destaque porque é justamente durante a sua execução nos shows que Gene Simmons faz a famosa cuspida de fogo.

Ace Frehley mostra que é um compositor de mão cheia com a inigualável “Cold Gin”. Inseguro para cantá-la, o guitarrista deixou Gene para tal finalidade. O curioso é que o abstêmio baixista interpretou o tema com tamanha maestria que parecia um “expert” na arte de ingerir goró. Aliás, a música está na sétima colocação das dez melhores composições feitas sobre bebida pela Guitar World em 2009.

E Kiss chega a sua metade com “Let Me Know”, que considero como uma das melhores do disco, mas que a banda raramente toca em seus concertos. A música foi apresentada por Paul Stanley para Gene Simmons quando eles se conheceram. Na época, a canção chamava-se “Sunday Driver”, e o guitarrista revidou uma provocação do baixista, que achava que apenas ele e a dupla Lennon/McCartney sabiam compor. A faixa chegou a ser registrada pelo Wicked Lester, mas no álbum entrou com Stanley e Simmons dividindo os vocais.

A sétima faixa é a clássica “Deuce”, que mostra todo o potencial de Gene Simmons como vocalista. Seguramente, é uma das faixas mais conhecidas do vasto repertório do Kiss. Constantemente é a faixa de abertura da banda nas turnês (como a que foi feita por aqui em 2009) e também os integrantes fazem uma coreografia na parte final. E, como boa parte das letras de Gene, fala da submissão feminina ao homem no sexo, que é o caso de “Deuce”, mesmo que de forma sutil.

Na sequência, o álbum apresenta a instrumental “Love Theme From Kiss”, que surgiu como uma versão encurtada de “Acrobat”, cuja versão integral pode ser conferida no “Box Set” (2001).  É uma das três músicas do Kiss compostas por seus quatro membros (vigentes às respectivas formações), as outras duas são “All Hell’s Breakin’ Loose” (do álbum “Lick It Up”, de 1983) e “Back To The Stone Age” (do disco “Monster”, de 2012). Mas que é a primeira que leva a assinatura de Simmons, Stanley, Frehley e Criss. E só como curiosidade, “Love Theme…” apareceu na trilha do filme “Somewhere” (2010), dirigido por Sofia Coppola.

O ‘debut’ do Kiss vai chegando ao seu final com mais dois petardos. Primeiro vem “100,000 Years”, com o sua famosa introdução com um riff de baixo de Gene Simmons. Depois surgem os outros para detonar tudo. Musicalmente falando, é a melhor música do álbum: tudo é absurdamente perfeito: baixo, bateria, riffs, letra e voz. Nos concertos, suas versões costumam ultrapassar os dez minutos por conta do solo de bateria de Peter Criss (e posteriormente por Eric Carr e Eric Singer) e a interação entre Paul Stanley e a plateia.

O outro petardo, que finaliza o álbum, é “Black Diamond”, que inicia com Stanley cantando o primeiro verso acompanhado de um violão de 12 cordas, e depois passa a bola para Peter Criss, que mostra o poder de sua voz na música. Após o solo de Frehley, a música vai diminuindo gradualmente até o final que, aparentemente, foi feito para completar a duração do disco.

A versão que contém na coletânea “Double Platinum” (1978) é a melhor, pois, em vez de manter o final “carregado”, repete a primeira parte. Após a saída do baterista original, “Black Diamond” continuou no setlist do Kiss, mas com os vocais de Eric Carr e Eric Singer, respectivamente.

O álbum Kiss resume perfeitamente o que é o Kiss: uma banda ambiciosa que apenas se preocupa em fazer música para divertir seus fãs através de suas temáticas adolescentes: festas, rock and roll e sexo (drogas não fazem parte do contexto, por incrível que pareça).

Kiss – Kiss

Ouça o disco

  1. Strutter
  2. Nothin’ To Lose
  3. Firehouse
  4. Cold Gin
  5. Let Me Know
  6. Kissin’ Time
  7. Deuce
  8. Love Theme From Kiss
  9. 100,000 Years
  10. Black Diamond
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