Joaquín Sabina – 19 Días y 500 Noches -1999

Joaquin Sabina

19 días y 500 noches: disco de Joaquín Sabina, de 1999

Colaboração de Malcon Fernandes

Existe sim provas de que a música espanhola tem grandes nomes e que merecem reconhecimento imenso no nosso Brasil. Um desses nomes é o ubedense Joaquín Ramón Martínez Sabina, conhecido simplesmente como Joaquín Sabina, dono de uma imensa trajetória musical que começou enquanto adolescente. Porém, só desfrutaria mais no exílio em Londres, nos anos 70, participando de grupos teatrais e exibindo filmes proibidos na Espanha, ainda sob o poder do ditador Franco.

Passado os anos, Sabina retornaria à sua Espanha natal, em 1976, para poder conceber sua trajetória musical, com seus discos “Inventario” (1978), o projeto “La Mandrágora” – com Javier Krahe e Alberto Pérez – que rendeu um único LP, em 1980.

Depois de dois álbuns na Epic e vários sucessos nestes discos, Sabina se juntaria a banda Viceversa, que contava com Pancho Varona na guitarra e um disco que vendeu muito em 1985, chamado “Juez y Parte”, e um ao vivo, “En Directo”, gravado durante a temporada de Carnaval espanhol, em 1986.

Sem o Viceversa e já na gravadora Ariola desde 1985, ele conseguiria fazer alguns de seus maiores saltos através dos discos “Hotel, Dulce Hotel” (1987), “El Hombre del Traje Gris” (1988) e os campeões de sucessos na década de 1990, como “Mentiras Piadosas” (1990), “Física Y Química” (1992), “Esta Boca Es Mía” (1994) e “Yo, Mi, Me, Contigo” (1996).

Em 1997, Sabina e o argentino Fito Páez anunciam um projeto juntos que originaria o disco “Enemigos Intimos”, lançado no ano seguinte e que viraria uma turnê. Porém, ambos tinham ideias diferentes – musicais e poéticas – e isso originou brigas e desentendimentos que se estenderiam por 10 anos após o lançamento do álbum. Quanto ao “Enemigos Intimos”, acabou vendendo muito mesmo após cada um tomar seu rumo.

Sabina decidiu buscar um produtor diferente e convidou Alejo Stivel, nascido na Argentina, ex-integrande da banda Tequila (punk espanhol do final dos anos 70) e que seu único sucesso até meados de 1998 foi o grupo La Oreja De Van Gogh, hoje com algum sucesso até no Brasil em meios mais alternativos. Coube a Stivel propor a Sabina uma forma diferente de trabalhar com suas músicas, a maioria delas feita em Buenos Aires enquanto aproveitava a cidade depois de ter brigado com Fito.

Desta parceria viria a surgir 19 días y 500 noches. As primeiras canções que surgiram por lá foram Dieguitos y Malfadas, claras referências a dois ícones argentinos: Diego Armando Maradona e os quadrinhos de Mafalda. A música mistura tango, rumba e sons do folclore argentino (semelhante às canções tradicionalistas do Rio Grande do Sul) e é uma homenagem à cidade de Buenos Aires feita especialmente para uma namorada argentina, chamada Paula Seminara, e fala sobre a paixão desta pelo Boca Juniors, um dos times argentinos favoritos do cantor, e do estádio do clube, a La Bombonera.

Apesar das longas faixas, que resultam num disco de mais de 70 minutos, 19 días y 500 noches tem músicas como A Mis Cuarenta y Diez – que é uma visão de Sabina sobre seus cinquenta anos vividos -, Barbi Superstar, Una Canción Para La Magdalena – feita em parceria com o cubano Pablo Milanés – , Cerrado por Derribo, Ahora Que…, El Caso de la Rubia Platino, Pero Qué Hermosas Eran, o dueto Noches de Boda – na qual Chavela Vargas, grande diva da canção mexicana, divide os microfones com um de seus fãs – além da música título cheia de gingado e com influências do flamenco e da rumba.

O disco conta também com um rap de 8 minutos (!) chamado Como te Digo una “Co”, Te Digo la “O”, que originalmente seria de 12 minutos e 20 segundos, mas a gravadora decidiu cortar o tempo da faixa para garantir mais espaço a outras músicas no disco.

Originalmente seria um disco duplo, mas a BMG Music espanhola preferiu poupar despesas. Assim, algumas faixas, então inéditas, só entrariam numa edição especial que seria lançada em 2011. Como Nos Sobran Los Motivos, que era a mesma melodia de Cerrado por Derribo – mas com mais base e arranjos – e La Biblia y El Calefón, feitas especialmente para a edição argentina do disco, com uma faixa a mais e Nos Sobran Los Motivos, que tinha expressões do vocabulário argentino substituindo Cerrado por Derribo e acabou sendo um sucesso tanto no seu país quanto no resto da América do Sul – exceção do Brasil.

19 días y 500 noches é um belo resultado de todas as aventuras argentinas de Joaquín Sabina, um poeta/letrista de mão cheia e que junta muitas influência de sons argentinos, do Caribe e um pouco do rock e do flamenco numa linguagem única, com influências que vão do poeta espanhol Francisco de Quevedo a Leonard Cohen e Bob Dylan.

Joaquín Sabina – 19 Días y 500 Noches

  1. Ahora Que…
  2. 19 Días y 500 Noches
  3. Barbi Superstar
  4. Una Canción Para La Magdalena
  5. Dieguitos y Malfadas
  6. A Mis Cuarenta y Diez
  7. El Caso de la Rubia Platino
  8. Donde Habita el Olvido
  9. Cerrado por Derribo*
  10. Pero Qué Hermosas Eran
  11. De Purísima y Oro
  12. Como Te Digo una “Co”, Te Digo la “O”
  13. Noches de Boda
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