Legião Urbana – Dois – 1986

Legião Urbana

Dois: disco da Legião Urbana, de 1986

Colaboração de Carolina Serpejante 

Todo fã de Legião Urbana é chato. Você sabe disso. Eu sei disso. Mas eu não ligo e vou prosseguir sendo chata e tagarelando sobre essa banda puro amor – ainda que Renato Russo também fosse um pé no saco.

Falar de Legião Urbana é de cara pensar nos hits clássicos, como Eduardo e Mônica, “Será”, “Que País é Esse?” e Tempo Perdido. Dificilmente nos vem à cabeça um álbum completo que não seja uma coletânea pré ou pós a morte de Renato Russo.

Contudo, há pra mim um disco que representa a banda muito bem e nos prepara para tantos sucessos que viriam mais tarde. O álbum Dois, o segundo da banda.

Dado o sucesso do primeiro disco, Renato se empolgou e queria fazer deste um duplo, cujo título seria “Mitologia e Intuição”. Mas para a nossa sorte ele foi desencorajado pela gravadora, que preferiu o álbum simples com esse nome muito mais legal, metalinguístico, engraçadinho e qualquer coisa que não serviria pra classificar Mitologia e Intuição. Vamos combinar, Dois é um título bem melhor.

Considero este um álbum muito emblemático da banda. Apesar de não conter os maiores sucessos – além de Eduardo e Mônica – há uma porção daquelas músicas que foram – e até hoje são – a cara da Legião. O risco passeia pela veia punk da banda e vai até o pós-punk, mais grave e instrumental. É tão simbólico que foi um dos mais vendidos e está em 21º lugar na lista dos 100 maiores discos da música brasileira, segundo a revista Rolling Stone Brasil.

 A primeira música é Daniel na Cova dos Leões, que na verdade começa com trechos do hino da Internacional Socialista e da música “Será”, primeira faixa do álbum anterior. Daniel na Cova é do tipo que você gosta, mas não sabe muito bem o por quê. Só ouvindo para entender.

Em seguida, vem Quase Sem Querer, uma das minhas músicas favoritas da banda. É daquelas que não fez tanto sucesso quanto deveria – mas essa sou eu sendo apenas uma fã chata. Quase Sem Querer tem as viradinhas de bateria características da banda e os acordes já conhecidos, acompanhado de uma letra que acerta em cheio. Quer mais Legião Urbana do que isso?

Outra letra que está no meu coração e na pele é a de Tempo Perdido. “Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas”. Sempre que ouço, quero sair cantando e dançando desajeitada, imitando o Renato Russo imitando o Morrissey. Consigo pensar em diversas ocasiões da minha vida nas quais essa faixa foi como um tiro no peito e, por isso, hoje tenho no meu braço tatuado o mantra: “temos nosso próprio tempo”.

Andrea Doria e Índios são, juntamente com Eduardo e Mônica e Tempo Perdido, as canções desse álbum que são mais conhecidas do grande público. Se não você não ouviu pelo menos uma dessas, sugiro investir (nota do editor: e voltar de Marte logo porque você anda pouco antenado das coisas por aqui).

Depois, é só prosseguir viagem no instrumental de Central do Brasil, no blues de Música Urbana 2, nos sons rasgados de Metrópole e todo o resto. Vale a pena. Você vai virar fã. Mas tente não ser chato, ok?

Legião Urbana – Dois

Ouça o disco

  1. Daniel na Cova dos Leões
  2. Quase Sem Querer
  3. Acrilic On Canvas
  4. Eduardo e Mônica
  5. Central do Brasil
  6. Tempo Perdido
  7. Metrópole
  8. Plantas Embaixo do Aquário
  9. Música Urbana II
  10. Andrea Doria
  11. Fábrica
  12. Índios
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