Mano Brown – Boogie Naipe – 2016

Mano Brown – Boogie Naipe – 2016

Por Marcos Lauro (texto originalmente publicado na Billboard Brasil)

São Paulo começou a cultura dos bailes de periferia no final dos anos 1950. Como essas festas não tinham condições de contratar as grandes bandas que faziam sucesso na época, nasceu a figura do DJ – o marco é 1958, quando seu Osvaldo, o primeiro DJ do Brasil, começou a sua trajetória. Tocando num palco com as cortinas fechadas e sob o nome de Orquestra Invisível, o veterano DJ colocava a pista para dançar de uma forma mais econômica, que cabia no bolso dos organizadores.

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Sabotage – Sabotage – 2016

Sabotage – Sabotage – 2016

Por Marcos Lauro (texto originalmente publicado na Billboard Brasil)

Aquela semana de janeiro de 2003 foi intensa. Gravações na terça-feira, quarta e quinta, morte na sexta, dia 24. Um dia antes do aniversário de São Paulo, cidade-personagem da maioria das suas canções, Sabotage era assassinado aos 29 anos – apenas três nas artes.

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Chance The Rapper – Acid Rap – 2013

Chance The Rapper - Acid Rap - 2013

Chance The Rapper – Acid Rap – 2013

Colaboração de Maurício Amendola

“Even better than I was the last time”. A frase de abertura dá o tom de Acid Rap (2013), segunda mixtape de Chance The Rapper, que sucede 10 Day, lançada um ano antes e que despertou curiosidade sobre o que o jovem iria aprontar dali em diante. Acid Rap surgiu para mostrar que ele realmente estava melhor ainda. Apesar de ser tratado como mixtape, o trabalho soa muito mais como álbum, até mesmo como álbum conceitual. Conceitual porque as composições, em conjunto, montam uma única paisagem: uma intensa viagem de – como o título anuncia – ácido. Engana-se quem acha que o negócio aqui fica na futilidade e “papinho de drogado”. Além do flow insano e as letras sagazes de Chance – com direito a gritinhos e “nanana’s” que acabaram se tornando sua marca registrada –, que vão de good vibes a paranoias e incertezas antes das pupilas sequer dilatarem, a mistura de gêneros é algo esquizofrênica e o resultado é, para dizer o mínimo, muito original. O rap é o protagonista, mas há soul e acid jazz – marcado pelo trompete de Donnie Trumpet, parceria que resultou em Surf (2015) –, gospel, com os onipresentes coros, pop, e o chamado Chicago Juke, um Ghetto House mais acelerado, o qual marca presença em “Good Ass Intro”. Aliás, a terra natal do rapper, Chicago, é bastante “homenageada” ao longo das faixas, não apenas pelas referências nas letras, mas também pelos featurings.

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John Legend & The Roots – Wake Up! – 2010

Wake Up, disco de John Legend & The Roots de 2010

Wake Up, disco de John Legend & The Roots de 2010

Por Marcos Lauro

As eleições norte-americanas de 2008 trouxeram esperança não só para os habitantes daquele país como também para todo o mundo. Barack Obama era o primeiro presidente negro eleito, um sinal de igualdade e esperança. E, claro, essas eleições também inspiraram a cultura pop. Na música, um dos resultados foi o disco Wake Up!, produzido por John Legend e a banda The Roots.

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Elo da Corrente – Cruz – 2014

Cruz: disco do Elo da Corrente de 2014

Cruz: disco do Elo da Corrente de 2014

Colaboração de Pedro Paiva

Em um belo dia, eu, minha namorada e uns amigos íamos em direção a Moóca e coloquei o CD Cruz do Elo da Corrente pra tocar no carro. Logo na primeira faixa, com palavras fortes e uma voz sofrida que lembra muito as lamentações do Reginaldo Rossi, minha namorada pergunta: ”Que musica é essa?” Mas com um ar de espanto, querendo me recriminar por estar ouvindo musica “brega”. Só falei pra ela prestar atenção… – e PEI! Começa a pedrada!

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Racionais MC’s – Cores e Valores – 2014

Cores e Valores: disco dos Racionais MCs, de 2014

Cores e Valores: disco dos Racionais MCs, de 2014

Por Marcos Lauro

A espera acabou! 12 anos depois de Nada Como Um Dia Após o Outro Dia, chega Cores e Valores. Com esse disco, os Racionais MC’s compram uma briga com fãs tradicionais e que estavam acostumados e acomodados com o rap que era praticado pelo grupo.

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Rael – Ainda Bem Que Eu Segui As Batidas do meu Coração – 2013

Rael

Ainda Bem Que Eu Segui As Batidas do meu Coração: disco de Rael, de 2013

Por Marcos Lauro

Rael sempre teve sua caminhada no rap, com seu trabalho junto ao grupo Pentágono. O rap é grande, bastante universl, mas às vezes algumas vozes sentem a necessidade de alçar vôos ainda mais altos, sair da caixinha/rótulo… ou não necessariamente sair, mas colocar um dos pés em outras áreas do conhecimento musical.

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Black Alien – Babylon By Gus, Vol. 1: O Ano do Macaco – 2004

Black Alien

Babylon By Gus, Vol. 1 O Ano do Macaco: disco do Black Alien, de 2004

Por Marcos Lauro

Com a implosão do Planet Hemp, surgiu a expectativa: como serão as carreiras-solo dos integrantes? Aqui está a resposta de Black Alien para a pergunta: Babylon By Gus, Vol. 1: O Ano do Macaco.

A obra, que completa 10 anos, é resultado do trabalho de dois caras: Alien e o produtor Alexandre Basa. E o tempo já passado só serve para provar o quanto o disco é bom. Pesado no ponto certo, melódico, com rimas precisas, temáticas variadas… ou seja, quase um manual de instruções sobre o rap nacional.

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Thaíde & DJ Hum – Preste Atenção – 1996

Thaíde & DJ Hum

Preste Atenção: disco de Thaíde & DJ Hum, de 1996

Por Marcos Lauro

Em 1996, o rap já estava consolidado dentro da cultura brasileira. Não era jogo ganho (como não é até hoje), mas o ritmo já era reconhecido, tinha artistas estabelecidos e até alguns clássicos. E pelo menos quatro faixas desse disco de Thaíde & DJ Hum, com o tempo, também se tornaram clássicos do gênero: “Afro Brasileiro”, “Malandragem Dá Um Tempo”, “Mó Treta” e “Senhor Tempo Bom”.

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OQuadro – OQuadro – 2012

OQuadro

OQuadro: disco de OQuadro, de 2012

Por Marcos Lauro

O rap tem sido cada vez mais plural e o diálogo com outros movimentos e ritmos aumenta conforme o movimento ganha força. E vem da Bahia o mais recente exemplo dessa mistura, aqui, especialmente, com ritmos jamaicanos e africanos, berços da cultura hip-hop.

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